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Composição e componentes da própolis

Na sexta e última parte do artigo especial, você confere a riqueza de componenes e nutrientes da própolis.

Extraído de: Revista Zum-Zum outubro/ dezembro-2007

A própolis é uma massa resinosa e pegajosa, cuja cor varia de amarelo-verde a marrom escuro, dependendo da procedência e da idade. Pode ser comparada a uma cola aromática. É difícil retira-la da pele, pois parece que reage fortemente com os óleos e proteínas da mesma. É dura e quebradiça enquanto fria, mas torna-se mole e pegajosa quando quente. Sendo uma mistura, a própolis dificulta os processos de extração ou fracionamento de seus componentes. Por este motivo as tentativas de determinar a composição da própolis não ultrapassam o estágio de um fracionamento bem simples.

O método habitual consiste em extrair a fração solúvel em álcool, ou seja a fração de cera. “Bálsamo” de própolis refere-se aquela fração que pode ser extraída com álcool a 70%. No início deste século as estimativas da composição da própolis, presumivelmente de várias procedências eram bem similares entre si. Foram feitas poucas tentativas de purificação mais profunda e de investigação exata da composição das frações estudadas. Até 1969 as informações sobre alguns componentes da própolis eram escassas. A falta de interesse foi provavelmente devido à natureza (complexo) da própolis e à falta de técnicas apropriadas para separação e análise.

A partir de 1969, com a aplicação de técnicas modernas de separação e identificação, foram isolados seis pigmentos do grupo das flavonas. Foram isoladas também as flavononas e ainda a isovanilina. As quantidades destes componentes variam de 1 a 4% da amostra original da própolis. Foi também constatada a presença de derivados de uma outra flavona, a quercetina, os quais porém, não foram examinados detalhadamente. Todos os componentes isolados em diferentes amostras de própolis, recolhidas em diversas regiões e por abelhas de várias raças mostraram que as flavonas e flavononas de seus extratos correspondiam aquelas encontradas em botões de Bétula verrucosa.

As observações que demonstraram que a própolis apresenta significante atividade anti-bacteriológica contra Bacillus subtilis, Bacillus alvei e Proteus vulgaris, foram corroboradas pela ação da galangina, uma flavona isolada de diferentes amostras de própolis a qual apresentou atividade bacteriostática. A separação de uma flavonona, a prinocembrina, mostrou atividade similar aquela da galangina. Foram também isoladas e identificadas as flavonas crisinas, tecnocrisina e isalpinina. É interessante que estes componentes foram isolados antes de botões de árvore de álamo, das quais as abelhas recolhem a própolis. Estas flavonas são encontradas inalteradas na própolis. Trabalhos mais recentes resultaram na separação do ácido cafeico e de um derivado do ácido cinâmico. Ambos os compostos mostraram atividade anti-bacteriológica a respeito de álbuns microorganismos, tanto gram-positivos, como gram-negativos.

Uma análise dos componentes anti-microbianos da própolis levou à separação e identificação de 17 compostos químicos, inclusive 9 compostos isolados antes, de outras amostras de própolis. Os compostos isolados pela primeira vez foram as duas flavonas: pectolinarigenina, o dimetileter da quercetina, 3 flavononas: a sacuranetina, pinobasenina e seu derivado: a 3-acetil-pinobasenina, um éster de benzila e um éster de ácido cafeíco com ácido aromático. Uma investigação preliminar dos componentes de própolis recolhidas por abelhas na região sudoeste da Austrália Ocidental mostrou que os seguintes componentes estavam presentes: 4 flavononas, a pinostrobina, a sacuranetina, a isossacuranetina e a hidroxidemetoxi-flavonona, o pteroestilbeno e o derivado de naftalina, o xantorroeol, traços de crisina e álcool dimetoxi-benzílico. Foram encontrados em amostras de própolis também alguns ácidos graxos representando 5% da amostra.

A presença de pequenas quantidades de vitaminas foi encontrada em própolis recolhida nos Estados Unidos. Foram encointradas as vitaminas B1, B2, B6, C e E, como também o ácido nicotínico e o ácido pantotênico, todas em quantidades variáveis. Foram encontrados os seguintes níveis: vitamina B1: 4,5 microgramas por grama de material fresco (6,4 microgramas/ gr de material seco), vitamina A: 6,1 a 8,1 Unidades Internacionais (UI); riboflavina 20 a 28 microgramas/gr e vitamina B6: 5 microgramas/gr de matéria fresca. Foram encontrados em própolis cobre e manganês em quantidade de 26,8 a 40 mg/kg, respectivamente. As cinzas da própolis contém ferro, alumínio, vanádio, estrôncio, manganês e silício.

Alguns autores informaram que no destilado por arraste de vapor foram identificados o éter fenil-vinícolo, o éter anisil-vinícolo e o ciclohexil-benzoato. É ainda discutível se estes 3 compostos realmente são componentes da própolis, porque algumas vezes são encontrados em polímeros sintéticos. O ciclohexil-benzoato é ocasionalmente usado como plastificamente. Um dos pontos interessantes emergem de um trabalho restrito que foi realizado a respeito dos componentes da própolis. O maior grupo de compostos são pigmentos à base de flavonas e derivados, os quais são ubíquos no reino vegetal.

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