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Desaparecimento de abelhas no hemisfério norte intriga cientistas

Fenômeno pode causar grandes prejuízos ambientais e econômicos, pois as abelhas são fundamentais para a polinização

Andréa Avelar/ Agência Sebrae Notícias

Foto: Moraes Neto

Belo Horizonte - O misterioso desaparecimento de abelhas nos Estados Unidos e na Europa começa a ser motivo de preocupação no Brasil. O fenômeno teve início em 2006 e até hoje os cientistas não conseguiram explicar suas causas. As abelhas saem em busca de néctar e pólen e não retornam mais às colméias. Enxames inteiros somem sem motivo aparente.

Importantes polinizadoras naturais, as abelhas têm papel fundamental no equilíbrio ambiental e na agricultura. Elas levam o pólen de uma flor a outra e induzem a formação de frutos e sementes. “Hoje as abelhas são mais valorizadas pela polinização do que pela produção de mel”, destaca o professor Dejair Message, do laboratório de Sanidade Apícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Só nos Estados Unidos calcula-se que os prejuízos econômicos por falta de polinização das abelhas podem chegar a US$ 14 bilhões. Lá o problema é conhecido como “desordem de colapso de colônias” (CCD na sigla em inglês). O assunto já foi tema de congresso realizado em Washington pela FDA (agência governamental americana responsável pelo controle de remédios e alimentos) e mobiliza esforços do governo norte-americano para a promoção de pesquisas.

No Brasil, alguns fenômenos já foram observados na região Sudeste. De acordo com o professor Dejair Message, há cerca de dois anos foi descoberto na cidade de Altinópolis (SP) um protozoário (Nosema ceranae) que está causando a mortalidade de abelhas. “Os criadores da região registram perda de 50% a 70% da produção”, diz Dejair.

Os especialistas estudam se esse protozoário também está presente nas colméias da Europa e dos Estados Unidos e se pode ser causador do sumiço das abelhas. “Aqui não temos o mesmo tipo de sintoma verificado no hemisfério Norte, que é o desaparecimento. O que acontece no Brasil é que as abelhas aparecem mortas perto das colméias, mas não se exclui a mortalidade durante o forrageamento (quando as abelhas se afastam da colméia)”, explica Dejair.

Outra diferença é que no Brasil predomina a abelha africanizada, resultante do cruzamento de raças européias com africanas. Trata-se de uma abelha mais resistente a doenças do que a européia e altamente produtiva, mas considerada agressiva. Nos EUA e Europa predomina a abelha européia, que é mais dócil e menos resistente. Por isso, o professor considera que a manifestação da doença poderia ser diferente em cada uma destas espécies.

“Mais recentemente descobrimos a presença do Nosema ceranae em abelhas no município de Uberlândia (MG)”, diz o professor. Na região também se observa a mortalidade de abelhas e a queda na produção. Dejair destaca que outros fatores podem influenciar na mortalidade, como é o caso do uso abusivo de inseticidas.

“Na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, já foi detectada pelo Laboratório de Sanidade Apícola da UFV a presença de agentes causadores de doença em apiários de produção de pólen. Precisamos analisar em outras áreas de Minas Gerais e outros estados, principalmente no caso dos apicultures migram abelhas para a região de Bebedouro (SP) para produzir mel de laranja”, diz o professor Dejair.

Para discutir o fenômeno do sumiço das abelhas, a professora norte-americana Marla Spivak (Universidade de Minnesota) virá ao Brasil em junho. Especialista em doenças de abelhas, Marla participará do 17º Congresso Brasileiro de Apicultura, que será realizado entre os dias 1º e 4 de junho, durante a programação da Superagro 2008, em Belo Horizonte (MG). O congresso tem o apoio do Sebrae/MG.








 

 
 
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